Juros Altos no Brasil! Quem Ganha, Quem Perde e Por Que Isso Importa Para Você?

Quando o Banco Central decide manter os juros muito altos, isso não é apenas um assunto técnico para economistas ou investidores. Essa decisão afeta diretamente o emprego, o preço das coisas, o crescimento do país e até a qualidade dos serviços públicos.

Economistas como Luiz Gonzaga Belluzzo e Marcio Pochmann vêm chamando atenção para um ponto central o Brasil pode estar usando juros altos não apenas para controlar a inflação, mas como um modelo permanente que favorece quem vive de renda financeira e penaliza quem depende do trabalho.


O Que São Juros Altos na Prática?

A taxa básica de juros (Selic) é o “preço do dinheiro” no país. Quando ela sobe; Fica mais caro financiar empresas e investir; O crédito para consumo encarece; O governo paga mais juros sobre sua dívida; Quem tem dinheiro aplicado em títulos públicos ganha mais sem produzir nada. Ou seja o dinheiro rende mais parado do que investido na economia real.


Quem Se Beneficia Desse Modelo?

Segundo análises recorrentes na literatura econômica. A maior parte dos ganhos com juros vai para uma parcela pequena da população, que possui aplicações financeiras; Bancos, fundos e grandes investidores se beneficiam diretamente; Investidores estrangeiros também capturam parte relevante desses rendimentos. Já a maioria da população: Não tem aplicações financeiras relevantes; Depende de emprego, crédito e crescimento econômico; Sofre com menos investimento, menos vagas de trabalho e crescimento lento.


Por Que Economistas Criticam o Banco Central?

A crítica principal

Belluzzo e Pochmann defendem que o Banco Central brasileiro passou a operar com excesso de preocupação em agradar o mercado financeiro, tratando os juros altos como algo quase automático, mesmo quando a inflação está sob controle. Na visão desses economistas, isso cria uma espécie de círculo vicioso. O mercado exige juros altos; O Banco Central mantém juros elevados; O crescimento enfraquece; O país continua dependente de capital financeiro; O mercado volta a exigir juros altos.


Mas Juros Altos Não São Necessários Para Controlar a Inflação?

Sim, juros são uma ferramenta legítima para combater inflação.
O problema, segundo os críticos, é quando essa ferramenta vira um fim em si mesma. Comparando com outros países emergentes, o Brasil costuma operar com. Juros reais mais altos; Crescimento menor; Investimento produtivo mais fraco. Mesmo considerando diferenças entre países, muitos economistas questionam se o nível de juros praticado no Brasil não é excessivo em relação ao benefício obtido.


O Impacto no Dia a Dia das Pessoas

Juros altos significam. Menos empregos formais; Empresas adiando investimentos; Crédito mais caro; Crescimento econômico fraco; Menos arrecadação para saúde, educação e infraestrutura. Enquanto isso, uma parte dos recursos públicos vai para o pagamento de juros da dívida, reduzindo o espaço para políticas sociais.


De Onde Vem Esse Modelo?

Esses economistas apontam que o atual modelo começou a se consolidar nos anos 1990, após o Plano Real. O controle da inflação foi essencial, mas o país acabou criando um sistema em que. A estabilidade monetária virou prioridade absoluta; O crescimento e o emprego ficaram em segundo plano; A dívida pública passou a funcionar como uma grande engrenagem de remuneração financeira. Com o tempo, isso se tornou “normal”, mesmo com resultados limitados para o desenvolvimento.


Existem Alternativas?

Segundo Belluzzo e Pochmann, sim. Entre as ideias debatidas estão. Um Banco Central com objetivos mais amplos, incluindo emprego e crescimento; Redução gradual e responsável dos juros; Tributação mais justa sobre rendimentos financeiros elevados; Política industrial para estimular produção e inovação. Essas propostas não são consenso, mas fazem parte de um debate legítimo sobre o futuro do país.


Por Que Esse Debate Importa Agora?

Se o Brasil continuar crescendo pouco, com juros altos e dependência financeira, o risco é permanecer como. Exportador de commodities; Importador de desigualdade; País com baixo dinamismo econômico. Discutir juros não é discutir “mercado financeiro”, é discutir o tipo de país que queremos construir.


(Referências e Leituras Recomendadas)

Banco Central do Brasil

Relatórios de Inflação

Atas do Copom

Séries Históricas da Selic

Tesouro Nacional

Relatório da Dívida Pública Federal

Estatísticas fiscais e custo da dívida

Luiz Gonzaga Belluzzo

Artigos na Folha de S.Paulo

Ensaios e livros sobre financeirização e desenvolvimento

Entrevistas e debates públicos sobre política monetária

Marcio Pochmann

Livros e artigos sobre desigualdade e economia política

Estudos do Ipea sobre renda, trabalho e desenvolvimento

Leitura complementar

Relatórios do FMI e Banco Mundial sobre juros e crescimento

Estudos acadêmicos sobre juros reais em economias emergentes

Juros Altos como Mecanismo de Transferência de Renda!

Em um cenário econômico marcado por contradições, o Brasil encara 2026 com desafios estruturais que revelam as fragilidades de um modelo macroeconômico ancorado em políticas herdadas do Consenso de Washington. Apesar das projeções otimistas de redução da taxa Selic, a economia segue presa em um ciclo vicioso de juros elevados, dependência de commodities e concentração de renda. Este artigo analisa como esses fatores se entrelaçam, perpetuando desigualdades e limitando o potencial de crescimento sustentável.

A taxa Selic, mantida historicamente em patamares elevados (15% ao ano em 2025, com projeções de queda para 12,25% em 2026), permanece como um dos pilares da política econômica brasileira. No entanto, longe de ser um instrumento neutro, essa estratégia tem funcionado como uma máquina de transferência de renda da sociedade para os detentores de títulos públicos, um grupo altamente concentrado entre os 0,1% mais ricos do país.

Enquanto a inflação persiste acima da meta (4,4% em 2025 e 4,2% em 2026), os juros altos beneficiam uma minoria que detém a maior parte da dívida pública, enquanto a maioria da população enfrenta crédito caro e estagnação salarial. Esse fenômeno não é novo, nos últimos seis anos, o Brasil registrou aumento acentuado na concentração de renda, com o topo da pirâmide absorvendo ganhos desproporcionais. A promessa de que a redução gradual da Selic em 2026 aliviará a pressão sobre a economia real soa como um consolo póstumo para quem viu seu poder de compra corroído por anos de priorização da estabilidade nominal em detrimento do desenvolvimento social.


O “Tripé Macroeconômico”

Implantado no pós-Plano Real, o chamado tripé macroeconômico metas de inflação, câmbio flutuante e superávit primário revelou-se uma armadilha para o crescimento. A obsessão com a inflação, mesmo em níveis moderados, justifica juros artificiais que sufocam investimentos produtivos e inovação. Em 2026, o PIB brasileiro deve crescer apenas 1,6%, metade do ritmo de economias emergentes comparáveis.

Pior ainda a manutenção da Selic em dois dígitos, impulsionada por um modelo baseado no incentivo ao consumo de curto prazo, cria um conflito insolúvel entre estabilidade de preços e dinamismo econômico. Enquanto isso, o superávit primário, exigido pelos mercados, drena recursos de políticas sociais e infraestrutura, perpetuando a estagnação. A ilusão de que a mera redução da inflação levaria ao crescimento mostrou-se um equívoco histórico, o Brasil é hoje um caso exemplar de como priorizar a crença monetária, pode aprofundar a desindustrialização e a desigualdade.


Desindustrialização e as Commodities

A dependência de commodities, que responde por quase 50% das exportações brasileiras, expõe a economia a choques externos e à condição de “tomador de preços” global. Em 2026, o setor agrícola enfrenta pressões climáticas que ameaçam a qualidade da produção e a competitividade internacional. Paradoxalmente, a alta dos preços das commodities, embora reduza temporariamente a inflação para 3,7% em 2026, mascara a fragilidade estrutural do modelo.

Enquanto países como México e Vietnã avançam na industrialização com base em cadeias globais de valor, o Brasil retrocede na participação da indústria no PIB que caiu para níveis pré-década de 1990, com consequências diretas na geração de empregos qualificados e na produtividade. A falta de políticas industriais consistentes, aliada à volatilidade cambial, tornou inviável competir em setores de médio e alto valor agregado. O resultado é uma economia cada vez mais polarizada entre elites ligadas ao agronegócio/finanças e uma massa trabalhadora presa em serviços informais de baixa remuneração.


O Ciclo Vicioso dos Fluxos de Capital Especulativo

A abertura financeira irrestrita, outro pilar do tripé, transformou o Brasil em refém dos movimentos de capitais golpistas. A necessidade de atrair dólares para financiar o déficit em conta corrente obriga o Banco Central a manter juros elevados mesmo quando a economia desacelera um fenômeno evidente em 2026, quando a Selic só deve cair para 12,13% após meses de pressão do mercado.

Essa dependência gera um círculo vicioso, juros altos atraem capital especulativo, que valoriza o real e prejudica exportações industriais; a desvalorização subsequente força novos aumentos de juros para conter a fuga de divisas. Enquanto isso, o setor produtivo paga o preço com crédito caro, custos elevados e incerteza cambial inibem planejamento de longo prazo. Em 2026, especialistas já alertam que, sem uma reforma do sistema cambial e financeiro, o Brasil seguirá preso nessa armadilha.


Qual Modelo?

O ano de 2026 evidencia que o Brasil precisa urgentemente superar o legado do Consenso de Washington. A persistência da Selic em dois dígitos, mesmo com projeções de queda, reflete a incapacidade do modelo em conciliar estabilidade com inclusão. Enquanto isso, a renda fixa segue “soberana”, mas a sociedade paga o preço com desemprego estrutural e pobreza persistente.

A saída exige ousadia, reforma tributária progressiva para reduzir a dependência da dívida pública; políticas industriais estratégicas para recuperar cadeias produtivas; e controle de capitais para mitigar a volatilidade cambial. Sem romper com a lógica de concentração de renda e subordinação aos mercados financeiros, o Brasil seguirá fadado a ser um exportador de commodities e importador de desigualdade um futuro que, em 2026, já não é mais uma previsão, mas uma realidade.

Como a Realidade do Bitcoin Desafia a Promessa de Anonimato e Descentralização?

Um estudo pioneiro sobre o Bitcoin revelou que, em seus primeiros anos, apenas 64 indivíduos controlavam a maior parte da rede, desmontando a narrativa da criptomoeda como um sistema verdadeiramente descentralizado, anônimo e independente de confiança.

Nos últimos anos, o mundo testemunhou uma demonstração prática que abalou um dos pilares da mitologia cripto, o governo de Israel anunciou a apreensão de milhões de dólares em Bitcoin e outras criptomoedas provenientes de carteiras digitais vinculadas a organizações consideradas terroristas, como o Hezbollah. A operação, resultado de sofisticadas técnicas de análise de blockchain e cooperação internacional, foi celebrada como um golpe contra o financiamento ilícito. Mas, para além do aspecto geopolítico, ela serviu como um capítulo contemporâneo de uma história que começou a ser desvendada muito antes, em um laboratório no Texas.

Lá, a cientista de dados Alyssa Blackburn já estava desvendando, desde a gênese do Bitcoin, aquilo que pode ser descrito como o “novo mito da inviolabilidade”.

Este artigo percorre esse caminho em três etapas: revisita a investigação acadêmica que revelou a centralização inicial do Bitcoin, analisa por que o anonimato prometido se mostrou tecnicamente frágil e, por fim, demonstra como essas vulnerabilidades se traduzem hoje em rastreamento e apreensão de ativos no mundo real. O argumento central é que a promessa original do Bitcoin, ser um sistema financeiro trustless (ou seja, que não dependeria da confiança em pessoas ou instituições), anônimo e descentralizado, mostrou‑se, ao longo do tempo, uma ficção poderosa, mas perigosa. A realidade é de centralização precoce, rastreabilidade inevitável e uma segurança que dependeu mais da cooperação humana do que da perfeição do código.


A investigação que desvendou os primeiros passos do Bitcoin

A jornada para desmistificar o Bitcoin começou com uma curiosidade científica. Erez Lieberman Aiden, geneticista e cientista da computação, e sua colega Alyssa Blackburn enxergaram nos cerca de 324 gigabytes do blockchain original o livro‑razão público e imutável de todas as transações, um vasto conjunto de dados sociológicos e econômicos ainda inexplorados. A pergunta que guiou a pesquisa era direta, como uma economia cripto realmente emerge do zero, e quão anônimos e descentralizados eram seus fundadores? Anonimato poroso: a equipe desenvolveu técnicas capazes de agregar múltiplos vazamentos de dados do próprio blockchain. Comportamentos inseguros dos usuários, características operacionais do software e, sobretudo, padrões técnicos no campo conhecido como extranonce — que acabava vazando informações sobre a atividade dos computadores dos mineradores — permitiram vincular diversos endereços pseudônimos a um mesmo agente. Concentração de poder: ao cruzar essas informações com registros de fóruns e discussões da época, o que inicialmente parecia ser uma rede formada por milhares de mineradores independentes se consolidou em um grupo muito menor. Apenas 64 agentes foram responsáveis por minerar a maior parte do Bitcoin existente nos dois primeiros anos. Em vários momentos, o poder de mineração efetivo esteve concentrado nas mãos de apenas uma ou duas pessoas. “Os 64 do Bitcoin”: entre esses agentes estavam figuras posteriormente conhecidas do público, como Ross Ulbricht (DreadPirateRoberts), criador do mercado ilegal Silk Road, e Michael Mancil Brown, o fraudador conhecido como “Dr. Evil”. O Agente nº 1 foi identificado como Satoshi Nakamoto, o criador pseudônimo do Bitcoin cuja identidade real o estudo deliberadamente não tentou revelar. O economista Eric Budish, da Universidade de Chicago, sintetizou essas descobertas ao sugerir o título “The Bitcoin 64”. O retrato que emerge é radicalmente diferente do mito fundador: em vez de uma rede distribuída e igualitária, os primórdios do Bitcoin foram marcados por forte concentração de riqueza e poder, reproduzindo estruturas de desigualdade que a criptomoeda prometia superar.


A ilusão da descentralização

A pesquisa de Blackburn e Lieberman Aiden vai ao cerne da contradição fundamental do Bitcoin. O cientista da computação Jaron Lanier, um dos primeiros a comentar o estudo, descreveu o fenômeno como um verdadeiro “teatro da descentralização”: cria‑se a ilusão de uma utopia onde tudo é distribuído e igualitário, enquanto, na prática, surge uma nova elite, muitas vezes a velha elite, apenas em um novo ambiente tecnológico. A análise da renda proveniente da mineração confirmou esse padrão, uma pequena fração dos participantes concentrou a maior parte da riqueza. Do ponto de vista da segurança da rede, o dado mais alarmante foi outro. Em diversas ocasiões, mineradores individuais controlaram mais de 50% do poder computacional, o que tornaria viável um ataque de 51%, capaz de reverter transações e comprometer a integridade do sistema. O paradoxo central do Bitcoin emerge exatamente aqui. Apesar de possuírem o poder técnico para destruir a rede, esses agentes dominantes repetidamente optaram por não fazê‑lo. Agiram de forma cooperativa, preservando o valor do ativo que controlavam. Como concluíram os autores do estudo, o sucesso inicial do Bitcoin não se apoiou em uma rede descentralizada e trustless de agentes anônimos, mas na cooperação de um pequeno grupo de fundadores altruístas.

Em outras palavras, o Bitcoin só foi seguro porque contrariou seu próprio ideal, ele sobreviveu não por eliminar a confiança, mas por concentrar poder em agentes que escolheram não abusar dele.

É nesse ponto que a história acadêmica encontra as manchetes contemporâneas. Se os pseudônimos dos primeiros mineradores puderam ser desvendados a partir de vazamentos de dados em um blockchain imutável, o que dizer das transações realizadas por organizações modernas, inseridas em um ecossistema muito mais regulado?

As operações israelenses contra o financiamento de grupos como o Hezbollah representam a aplicação prática das mesmas premissas. O mito da inviolabilidade do Bitcoin se desfaz em duas frentes complementares.

Rastreamento on‑chain: assim como Blackburn explorou padrões técnicos, empresas de análise forense de blockchain, como a Chainalysis, utilizam o caráter público do livro‑razão para mapear fluxos financeiros. Agrupamento de carteiras, padrões de transação e interações recorrentes com serviços conhecidos permitem associar endereços a redes e, em alguns casos, a entidades do mundo real.

Ação nos pontos centrais (off‑chain): organizações sancionadas, cedo ou tarde, precisam converter criptomoedas em moeda fiduciária ou utilizar serviços financeiros. Para isso, recorrem a exchanges centralizadas, sujeitas a regulações e a políticas de identificação de usuários (Know Your Customer). Quando uma carteira rastreada interage com essas plataformas, autoridades podem emitir ordens judiciais para congelar ou apreender os ativos. É esse mecanismo mais do que a quebra da criptografia, que sustenta a maioria das apreensões anunciadas.

Isso não significa que qualquer Bitcoin possa ser automaticamente confiscado, mas evidencia que o sistema se torna vulnerável sempre que interage com o mundo real, regulado por leis, instituições e coerção estatal.


A promessa (o mito)A realidade (a prática)
Anonimato total: transações entre pseudônimos inatingíveisRastreável: vazamentos de dados e análise forense permitem desfazer o anonimato
Descentralização pura: nenhuma entidade controla a redeCentralização: concentração inicial da mineração e dependência atual de exchanges
Sistema trustless: segurança garantida apenas por códigoSegurança cooperativa: integridade histórica dependeu de escolhas humanas
Imunidade à apreensãoApreensão via terceiros e pontos centralizados

Legado de um mito poderoso

A narrativa do Bitcoin como um sistema anônimo, descentralizado e à prova de censura foi seu combustível ideológico mais potente. Atraiu idealistas, libertários e também agentes que acreditaram ter encontrado um instrumento financeiro imune ao poder do Estado. Contudo, tanto a investigação meticulosa conduzida por Blackburn quanto as ações recentes de inteligência demonstram que essa narrativa sempre esteve em descompasso com a realidade.

O blockchain é, por definição, um registro público e imutável. Essa característica é sua força como sistema de verificação, mas também sua maior limitação como ferramenta de privacidade. Como alertou Alyssa Blackburn, existe um horizonte além do qual a criptografia deixa de garantir anonimato absoluto. Assumir que dados públicos permanecerão privados para sempre é um erro conceitual.

No fim, o Bitcoin não eliminou a confiança apenas mudou quem precisa ser confiável. Essa mudança, longe de criar uma utopia financeira, revelou uma tecnologia poderosa, porém imperfeita, cujo funcionamento real é moldado não apenas por linhas de código, mas pelas escolhas humanas que continuam a sustentar ou limitar qualquer sistema econômico.

Referência: https://www.nytimes.com/2022/06/06/science/bitcoin-nakamoto-blackburn-crypto.html

A Perigosa Retórica por Trás dos Ataques de Trump à Venezuela

 (Andrew Harnik/Reuters)

Na semana passada, o mundo assistiu a mais um capítulo da política externa linha dura do governo Trump, a destruição de embarcações suspeitas de tráfico de drogas ao largo da costa da Venezuela. Mas o que mais chamou a atenção não foi apenas a ação em si, foi a justificativa usada para legitimá-la.

A administração Trump tem sido “clara e consistente” em sua narrativa, os traficantes venezuelanos não seriam meros criminosos, mas sim “narco-terroristas” que estariam “enviando uma arma mortal que está envenenando americanos”, supostamente a mando de organizações terroristas.


A ideia não é defender bandido, mas o termo “narco-terroristas” já foi usado por governos anteriores para aumentar a pressão política e militar contra redes de narcotráfico. Sob essa lógica, esses indivíduos deixam de ser suspeitos de crime comum e passam a ser tratados como inimigos em tempo de guerra, alvos legítimos para operações letais, sem necessidade de julgamento, captura ou devido processo legal. É uma porta aberta para execução sumária disfarçada de defesa nacional.


Justiça ou Vingança?

Não há dúvida de que o tráfico de drogas é um problema gravíssimo. Fentanil, metanfetamina e cocaína continuam devastando várias comunidades nos Estados Unidos. Mas responder com ataques militares contra barcos em alto-mar, muitas vezes com tripulações não identificadas, levanta questões profundas.

Quem eram essas pessoas? Havia provas concretas de seu envolvimento com terrorismo? Em que águas ocorreram os ataques? Foram respeitadas as leis internacionais? E, acima de tudo quem decide quem é “terrorista” o suficiente para ser eliminado sem julgamento? A história mostra que, quando governos usam rótulos vagos para justificar força letal, os inocentes muitas vezes pagam o preço.


O Risco de Escalada na América Latina

Além das implicações éticas, há um risco geopolítico real. A Venezuela já vive em crise há anos, com instituições fragilizadas e uma população exausta. Ataques unilaterais por parte dos EUA, ainda mais com base em acusações amplas podem ser vistos como violações da soberania, alimentando o sentimento anti-americanismo na região.